Hot E08
Uma turma de amigos
Faz tempo que não trabalho com uma classe assim, amiga, participativa, que se supera a cada atividade, coerente, carinhosa, educada, empenhada, criativa, segura, espontânea, forte, linda! A heterogeneidade aqui realmente faz a diferença, contribuindo para o desenvolvimento de competências e percepções de todos, inclusive os professores, que muitas vezes se tornam apenas espectadores dessa atuação eficiente e talentosa.
Tantas histórias, tantas risadas, algumas lágrimas, pra nos lembrar que como humanos que somos às vezes tropeçamos nos nossos próprios medos, ou nos nossos egos e agimos de forma ríspida, e sem coerência com tudo que acreditamos ser a melhor forma de agir em comunidade. Estamos todos desculpados, estamos todos prontos para recomeçar, sem mágoas e sem frescuras, maduramente e profissionalmente, mas com amor, respeito e interesse verdadeiro pelo outro.
Não tivéssemos essa clareza, não teríamos percebido a superação e desenvolvimento do Edu, por exemplo, tantas vezes citado como exemplo a ser seguido por todos; nem teríamos percebido como a Renatinha, tão quietinha, está sempre atenta nos assuntos que discutimos em sala; nem teríamos percebido como aquela turminha dos meninões – Renato, Adriano e Bruno – tem muito mais pra contribuir do que apenas com sua alegria e bom humor, que por si só já imprimem grande qualidade à turma; nem teríamos constatado a sensibilidade da Karen, quase sempre escondida atrás da seriedade e profissionalismo que conquistam.
Sequer teríamos percebido que a Gláucia não é apenas uma motoqueira doida que corre pelas ruas doidas dessa cidade doida. Ela sabe de hotelaria, sabe até de normas da ABNT e sabe separar os momentos e se preparar para cada um deles.
Também não teríamos entendido que algumas pessoas são ausentes por necessidades pessoais, justificadas ou não, mas pessoais, e isso não tira o seu brilho, como a Ana Carolina, a Paula, a Silvia, a Simone, a Caroline, a Carla, a Gilliane, o Louis, e até mesmo o safado do Wellington, que só não aparece mais na sala por que não quer.
Talvez fosse difícil entender a Cris, esse furacão de emoção que chega e nos arrasta, mas sempre nos deixa sãos e salvos, num ponto alto do seu carinho; ou o André, a Márcia, a Sandra, o Heitor - ou seria Hélio? - ou o William, tão seguros e tranqüilos, poderiam parecer pretensiosos e arrogantes, mas não, são generosos e amorosos.
Ainda bem que estamos correndo atrás, que estamos nos esforçando, que estamos segurando as rédeas da nossa formação e desenvolvimento de uma ou outra habilidade que pode ainda estar faltando, mas que se tornam menos importantes se colocadas ao lado do sorriso da Eliene e da Gil, a simpatia da Roberta e da Luanna, do brilho nos olhos da Camila, ou da candura da Suellen.
Justamente por querermos crescer, melhorar a cada dia, que percebemos que a Bella e a Del são queridas, apesar de não viverem sorrindo o tempo todo; que a karol tem vontade, apesar de dormir um pouco nas aulas – é bem verdade que faz tempo que isso não acontece, afinal, as fichas estão caindo, não é karolzinha?
E o que falar da Maria Luiza, um pouco tímida, mas com muita competência para nos ensinar muitas coisas. Olha ai mais uma professora! E do Thiago, que soube dosar as alegrias e tristezas dessa fase da sua vida e não deixou que nada o atrapalhasse na apresentação do trabalho da nossa querida Prof. Carol, nem mesmo a partida repentina do Leonardo, com todo o material do grupo.
Assim como o Fábio que além de nos dar uma lição de criatividade artística, mostrou que está aprendendo que é bom diversificar as nossas maneiras de comunicação, ou o Luis e a Elizangela, que aos poucos vão deixando a timidez de lado e nos vão mostrando sorrisos e idéias, vontades e saberes.
Por último, mas com a mesma importância de todos os outros – até da Clécia e do Claudinei, que nem me lembro muito bem – o Ronaldo foi o primeiro que se levantou para me apresentar a turma, já faz algum tempo, mas essas lembranças são vivas dentro do meu peito.
Depois de quase três meses a turma E08 reforça a impressão que tive no primeiro dos nossos encontros, na ensolarada manhã de 10 de setembro de 2008 - ao contrário do que foi explicitado na apresentação do Ronaldo, que disse que era uma turma apática: uma equipe competente, disposta, empolgada, entusiasmada, e se por acaso essa carapuça não servir para todos vamos dar um jeitinho de afrouxá-la que é pra caber. Essa carapuça temos que vestir, para transformar esse mundo, num mundo melhor, mais humano e mais gostoso de viver.
Vocês se tornaram motivo de orgulho para mim, orgulho de ter conhecido vocês e de alguma forma ter interagido com vocês, ter tido a oportunidade de passar minhas crenças, minhas angustias, minha filosofia de vida. Aprendi com vocês que esse papinho de superação não é só um papinho da boca pra fora. É real e possível. É necessário e faz bem. Que não percam essa delicadeza da alma, que não percam esse respeito e amizade, que não se percam de mim, pois sentirei saudades. E para terminar deixo um lindo poema do Ferreira Goulart – Cantiga para não morrer - que fazendo as devidas associações, me lembra todos vocês.
Quando você for embora moça branca como a neve, me leve.
Se acaso você não possa me carregar pela mão,
Menina branca de neve,
Me leve no coração.
Se no coração não possa, por acaso me levar,
Moça de sonho e de neve,
Me leve no seu lembrar.
E se ai também não possa por tanta coisa que leve
Já vivo em seu pensamento,
Menina branca de neve,
Me leve no esquecimento.
Obrigado meus amigos,
Prof. Wanderley Damaceno
11/11/08
Escrito por wanderley Damaceno às 15h40
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Atrizes na TPM
Outro dia estava dirigindo uma atriz que estava totalmente sem “vida”. Ela ensaiava com os braços cruzados, sem as intenções adequadas, sem vontade. Depois dos meus questionamentos ela disse que eu tinha que entender, afinal, ela estava na TPM. Era humana, e como todo ser humano tinha seus altos e baixos.
Eu disse: Não!
Um ator não pode sucumbir por uma simples dor de barriga. Parece que o grande Grande Otelo recebeu a noticia da morte de seu pai, minutos antes de entrar em cena. Entrou, fez toda platéia gargalhar e depois que o espetáculo acabou, ele foi embora chorar pela morte de seu pai.
O ator é assim mesmo, em primeiro lugar seu trabalho, seu público, sua interpretação. Mas notem, nem falava sobre o amor incondicional à arte quando falava com minha atriz, mas sim, sobre a impossibilidade de fazer o ensaio render novas descobertas que melhorarão o produto final que é a encenação do espetáculo. Sem empenho o processo de ensaio que é muito rico, perde o significado.
Outro dia ouvi alguém dizer que: O ator deve fazer teatro, precisa fazer televisão e merece fazer cinema. Sem dúvida é um presente para o ator a possibilidade de participar de um filme, com um bom diretor e equipe, um bom roteiro e um personagem instigante, melhor ainda. Precisa fazer TV por que é a maneira de ter seu trabalho reconhecido pelo grande público e deve fazer teatro por que o teatro é a “escola” que dará a melhor base para o trabalho do ator.
No teatro não tem esconderijo, não dá pra repetir a cena que não ficou boa, não dá pra esquecer o texto e não improvisar. Não dá pra fingir que beija ou que bate, a ação tem que acontecer realmente, talvez não realisticamente, mas verdadeiramente. E encontramos essa verdade durante o processo de ensaio.
O ator de teatro é um corajoso. Movido pela curiosidade, pela busca, pelo prazer, pelo jogo. Ao buscar as respostas para as dúvidas do seu personagem, ele, o ator de teatro, encontra respostas para as dúvidas de todos os seres humanos. Ao chorar é como se todos os homens chorassem, ou ao morrer, como se todos morressem. O ator representa o que vemos no mundo, sua grandeza e sua fraqueza, sua glória e sua derrocada, mas representa. Ele deve ser um conhecedor da alma humana, fazer de tudo para transformar a platéia que está lá, vendo-o, ao mesmo tempo que transforma seus dilemas e suas experiências em matéria expressiva, em arte.
Mas como o ator aprende? Aprende observando, tentando, arriscando, expondo-se, expressando-se sem medo de parecer ridículo. Aliás, o ator não tem medo de ser ridículo, mas também não se coloca em cena de maneira desarticulada, desatinada, sem preparação corporal e intelectual. Seu corpo (físico, mente, voz e alma) não é um instrumento do seu trabalho, é o seu próprio trabalho, portanto é o próprio ator, ao mesmo tempo objeto de pesquisa e pesquisador. Seu corpo e sua voz devem levar a platéia a uma catarse, sem nunca deixá-los esquecer que aquilo é falso, é interpretação, é teatro.
O ator aprimora suas habilidades artísticas desenvolvendo-as para satisfação pessoal e coletiva, mas principalmente, para executar seu papel da melhor forma possível, para levar sua platéia à mundos desconhecidos, emocionantes, cômicos, românticos ou subversivos, principalmente mundo de imaginação e raciocínio.
O teatro é a arte da memória, da estética, da comunicação e da generosidade para o trabalho em equipe, então, não podemos deixar nossos problemas interferir no trabalho da coletividade.
Escrito por wanderley Damaceno às 14h47
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Meu grande amigo Ricardo Moreira me deu a feliz oportunidade de adaptar quatro contos de Machado de Assis, que estreou em Campinas, na República Cênica, em 14 de agosto de 2008. Fez despertar uma vontade enorme de escrever mais, mais, mais...
O resultado não poderia ter sido mais satisfatório. A direção impecável do Ric valorizou o roteiro dramaturgico e a interpretação dos atores, lindos, fez surgir em cena paixões, traições, perversidades e crimes, temperados com as palavras magistrais do grande Machado de Assis. Desse jeito morro de orgulho. Obrigado Procópios, Severinas, Felizbertos, Inácios, Ritas e Maria Luizas. que seja a primeira página de outros contos, outros peças, outras amizades. Obrigado Ricardo, obrigado Machado.
Escrito por wanderley Damaceno às 00h12
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